Contexto macroeconómico – crescimento estável, inflação em baixa e mercado de trabalho resiliente
26/03/2025
Escrito por
GIEE | CM Porto

O contexto macroeconómico da economia mundial, europeia e portuguesa nos próximos anos deverá ser relativamente favorável, com destaque para um crescimento estável, uma taxa de inflação decrescente, e um mercado de trabalho resiliente. Estas conclusões advêm das projeções mais recentes das diversas entidades incluindo FMI, OCDE, Banco Mundial, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Banco de Portugal, e Conselho das Finanças Públicas.
Economia mundial
Apesar do contexto pautado pela intensificação das tensões geopolíticas e económicas, e a guerra comercial desencadeada pelo aumento das tarifas aduaneiras por parte dos Estados Unidos da América (EUA), o PIB mundial deverá manter um ritmo de crescimento entre 2,7% e 3,3% em 2025 e 2026.
No que concerne à inflação, as estimativas apontam para uma moderação gradual do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) de 4,2% em 2025 para 3,5% em 2026 ao nível mundial, sendo esperada uma desinflação mais rápida nas economias avançadas (2,1% em 2025 e 2,0% em 2026) do que nas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento (5,6% em 2025 e 4,5% em 2026).
Zona Euro
No que diz respeito à Zona Euro, as projeções refletem uma aceleração gradual da atividade económica em 2025 e 2026, sendo estimado o crescimento do PIB real de 0,9% - 1,0% em 2025 e 1,2% - 1,4% em 2026. Estas perspetivas resultam do aumento dos salários reais, do emprego, e do consumo, num contexto de um mercado de trabalho no espaço europeu resiliente e uma procura interna apoiada pela flexibilização das condições de financiamento.
Quanto à inflação, as estimativas apontam para uma descida contínua de 2,4% em 2024 para 2,3% em 2025 e 1,9% em 2026. Esta tendência advém sobretudo da previsão de diminuição da inflação dos serviços, que tem sido persistente, bem como do alívio das pressões salariais e do impacto da política monetária anteriormente restritiva. Não obstante, a inflação dos preços dos produtos energéticos deverá continuar a aumentar. Estas estimativas inserem-se num contexto de um mercado de trabalho resiliente que deverá continuar a expandir-se ao longo do horizonte de projeção, com a taxa de desemprego a atingir 6,3% em 2025 e 2026.
Economia portuguesa
As projeções para a economia portuguesa apontam para um crescimento do PIB de 1,9% - 2,4% em 2025 e 2,0% - 2,1% em 2026. Estas previsões resultam do alívio das condições financeiras associadas à redução das taxas de juro, da expansão da procura externa, e da execução dos fundos europeus.
No que respeita à inflação, prevê-se uma descida de 2,7% em 2024 para 2,3% em 2025 e 2,0% em 2026, devido principalmente ao abrandamento dos preços dos serviços. Todavia, existem riscos externos que poderão comprometer a redução da inflação, nomeadamente a subida dos preços das matérias-primas ou dos preços de importação devido a possíveis tarifas retaliatórias da União Europeia (UE) contra os EUA. Relativamente ao mercado de trabalho, é esperado um abrandamento do crescimento do emprego de 1,3% em 2025 e 0,7% em 2026, enquanto a taxa de desemprego deverá estabilizar em 6,4% no horizonte de projeção.
Dada a volatilidade da atual conjuntura económica, social e geopolítica, na qual o Porto e Portugal se enquadram, torna-se necessária uma abordagem prudente na análise das estimativas apresentadas.
A versão completa da presente síntese será publicada no Relatório da Prestação de Contas do Município do Porto de 2024, que estará disponível brevemente nesta página.
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